Se sua empresa já possui um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), mas ainda não incluiu os riscos psicossociais, chegou a hora de agir. O prazo para adequação plena vai até maio de 2026, mas desde maio de 2025 os auditores já estão orientando empresas em todo o Brasil nessa nova fase educativa. Evitar autuações, proteger a saúde da equipe e construir um ambiente de trabalho mais seguro começa hoje. Por isso, elaboramos um guia prático e completo, especialmente para gestores de RH e donos de pequenas e médias empresas que querem atender à NR-1 atualizada com eficiência, clareza e agilidade.
Recapitulação rápida: o que a NR-1 exige
A Portaria MTE nº 1.419 de 2024 trouxe um marco para a gestão de riscos ocupacionais no Brasil. Mais do que listar perigos físicos, químicos e biológicos, agora é obrigatório mapear e gerenciar os chamados fatores psicossociais dentro do PGR. Isso vale para todos os segmentos. Veja os pontos-chave estabelecidos:
- Todos os trabalhadores devem participar do processo. Segundo o item 1.5.3.3 da NR-1, mecanismos de consulta e participação são obrigatórios.
- O inventário de riscos precisa trazer de forma clara os fatores psicossociais, junto aos demais perigos laborais.
- Os registros devem ser controlados e rastreáveis por 20 anos, permitindo acompanhamento do histórico da exposição e das medidas adotadas.
- A fonte oficial é o Guia sobre riscos psicossociais do Ministério do Trabalho e Emprego.
Essas regras se aplicam a todos os empregadores, inclusive PME do interior do país. Para quem já tem PGR, é preciso atualizar o documento. Para quem ainda não formalizou, é urgente iniciar agora o processo, lembrando que fiscalização vai exigir comprovação efetiva de participação, análise e controle dos fatores psicossociais.
Os 7 passos para incluir riscos psicossociais no PGR
A melhor forma de montar ou corrigir o PGR para atender a NR-1 já considerando riscos psicossociais é dividir o processo em etapas claras e práticas. Seguimos a estrutura que tem dado resultados em empresas que assessoramos, adaptando à rotina de PMEs e às orientações do MTE.
Passo 1: Formar o grupo de trabalho
Iniciar o processo exige reunir as pessoas certas. Sugerimos um grupo que reúna:
- Profissionais de RH;
- Segurança e Saúde no Trabalho (SST), podendo ser terceirizado para pequenas empresas;
- Membros da CIPA (onde houver);
- Líderes de setores afetados;
- Pelo menos um representante dos colaboradores, escolhidos pelos próprios trabalhadores.
Para PMEs sem serviço próprio de SST, é possível contar com apoio externo, como SESMT terceirizado, e sempre garantir espaço para escuta ativa dos colaboradores. A NR-1 é clara quanto à participação: sem ela, o processo pode ser invalidado. A diversidade do grupo ajuda a mapear situações que a alta liderança pode não perceber no dia a dia.
Passo 2: Identificar os fatores de risco psicossocial
O Ministério do Trabalho e Emprego apresenta uma lista base de fatores psicossociais no seu Guia, reconhecidos internacionalmente. Entre eles estão:
- Metas acima do razoável e sobrecarga de atividades;
- Assédio moral ou sexual;
- Falta de suporte da gestão;
- Trabalho repetitivo ou isolamento;
- Desequilíbrio entre esforço e recompensa;
- Conflitos interpessoais persistentes;
- Problemas de comunicação dentro das equipes.
Para identificar esses fatores, recomendamos combinar diferentes métodos:
- Aplicação de questionários anônimos sobre clima e saúde mental;
- Entrevistas individuais ou em pequenos grupos;
- Grupo focal com representantes de áreas distintas;
- Análise dos dados já disponíveis: afastamentos médicos (principalmente por CID-F), queixas frequentes, turnover, resultados de pesquisas anteriores.
Veja abaixo um modelo simples de questionário para aplicar na sua empresa. Ele pode ser físico ou digital e as respostas devem ser confidenciais.
Questionário de percepção de riscos psicossociais (exemplo rápido)
- Você considera as metas do seu setor possíveis de serem atingidas?
- Com que frequência você sente sobrecarga de trabalho?
- Já presenciou ou vivenciou situações de assédio moral ou sexual no trabalho?
- O suporte oferecido pela liderança é suficiente para suas atividades?
- Sente-se isolado(a) ou repetindo tarefas de forma cansativa?
- Na sua opinião, o reconhecimento pelo seu esforço é adequado?
- Você tem ou percebe conflitos frequentes na equipe?
- A comunicação entre áreas é clara e eficaz?
- Como você avalia o equilíbrio entre seu esforço e as recompensas oferecidas?
- Há sugestões para melhorar o ambiente de trabalho? Quais?
Recolher essas impressões é fundamental para revelar pontos críticos e muitas vezes ocultos do cotidiano laboral. Depois, o grupo de trabalho analisa os resultados e segue para a próxima etapa.
Passo 3: Avaliar a severidade e probabilidade
Após identificar os fatores presentes na empresa, a próxima etapa é atribuir nível de risco usando um modelo simples e visual, chamado matriz de risco.
Leve em conta:
- Probabilidade: qual a chance do evento ocorrer? (baixa, média, alta, crítica)
- Severidade: qual o impacto caso aconteça? (baixa, média, alta, crítica)
Exemplo prático de classificação:
- Setor: Call center
- Fatores: Metas agressivas, muitas queixas e absenteísmo elevado
- Avaliação: Probabilidade alta, severidade alta = risco crítico para sobrecarga
Assim, cada risco identificado é priorizado para ação, começando pelos de maior impacto na saúde mental e na dinâmica das equipes.
Passo 4: Definir medidas de prevenção e controle
Para cada fator psicossocial identificado é decisivo definir uma medida prática, formalizando o responsável, o prazo e o indicador de verificação:
- Risco: sobrecarga de trabalho → Medida: ajustar metas do setor; contratar reforços; revisar processos; Responsável: Supervisor(a); Prazo: 60 dias
- Risco: falta de suporte psicológico → Medida: oferecer acesso a psicólogos por telemedicina (como nos planos corporativos da MED7 Telemedicina); Prazo: 30 dias
- Risco: assédio moral → Medida: criar canal de denúncias; realizar treinamentos de prevenção; divulgar política de tolerância zero; Prazo: 45 dias
O ideal é ter um responsável claro para cada ação, além de estipular datas para verificação e acompanhar indicadores de melhora, como redução de queixas, absenteísmo, etc.
Passo 5: Documentar no inventário de riscos
Todas as etapas e decisões devem estar registradas no inventário de riscos da empresa. O documento deve demonstrar rastreabilidade do início ao fim, com histórico de análise, decisões e acompanhamento das ações.
Recomendamos o formato tabela, facilitando atualizações e fiscalização:
- Fator de risco
- Setor/atividade afetada
- Nível de risco
- Medida de controle planejada
- Responsável pelo acompanhamento
- Prazo
- Status (em andamento, concluído, pendente)
Guarde as versões e mantenha backup, pois registros deverão ser preservados por pelo menos 20 anos, como determina a norma.
Passo 6: Implementar mecanismos de monitoramento contínuo
Não adianta só criar o inventário no papel: é preciso monitorar indicadores e ouvir os trabalhadores de maneira ativa e regular.
- Realize pesquisas de clima trimestrais ou semestrais
- Crie ou fortaleça canais de escuta ativa e denúncia confidencial
- Monitore números de absenteísmo, rotatividade, afastamentos com diagnóstico de saúde mental (CID-F)
- Revise o PGR sempre que houver mudanças importantes (estrutura, funções, novos processos, etc.)
Com um processo contínuo, a empresa mostra para a fiscalização – e também para seus colaboradores – que está atenta e pronta para corrigir rumos rapidamente, se necessário.
Passo 7: Preparar para a fiscalização
Chegando ao fim do ciclo, precisamos garantir que a empresa esteja pronta para o olhar do MTE. O fiscal normalmente vai:
- Solicitar o PGR completo e o inventário de riscos atualizado (inclusive psicossociais)
- Pedir evidências de participação dos trabalhadores (atas, registros, prints, formulários preenchidos)
- Verificar se as ações corretivas/preventivas estão de fato em andamento ou concluídas
- Analisar indicadores: evolução, revisão periódica, monitoramento ativo
Uma dica de ouro que sempre reforçamos:
Mantenha a cadeia de evidências viva: do sinal ao acompanhamento.
Ou seja, documente todos os passos: quando identificou o problema, quem analisou, quais ações foram definidas, como foi executado e quais foram os resultados. Isso faz toda diferença e reduz riscos de notificações e autuações.
Checklist resumo
Depois de seguir os sete passos, recomendamos rodar o checklist abaixo antes de arquivar o inventário e se dar por pronto:
- [ ] Grupo de trabalho formado e ativo, com representante dos colaboradores
- [ ] Fatores psicossociais identificados através de métodos participativos (questionário, entrevistas, etc.)
- [ ] Avaliação completa da severidade e probabilidade dos riscos por setor
- [ ] Medidas preventivas e corretivas definidas, com responsáveis e prazos claros
- [ ] Inventário formal e atualizado (rastreamento por 20 anos previsto)
- [ ] Mecanismos de consulta ativa aos empregados funcionando
- [ ] Canal de denúncias seguro e acessível
- [ ] Monitoramento contínuo com indicadores acompanhados
- [ ] Cronograma de revisões periódicas planejadas
Nunca subestime um item. Um checklist seguido à risca facilita não só a conformidade, mas também o clima organizacional e a transparência interna.
Erros comuns que as empresas cometem
Nem sempre é falta de boa vontade. Muitas pequenas e médias empresas caem em armadilhas na pressa de cumprir a norma. Listamos os cinco erros que, na nossa experiência, mais comprometem o resultado final:
- Copiar e colar modelos genéricos do PGR sem adaptá-los para a realidade do negócio é um dos erros mais vistos.
- Esquecer de envolver genuinamente os trabalhadores no mapeamento e tomada de decisão (isso é obrigatório pela NR-1, sem exceções).
- Fazer toda a parte documental perfeita, mas esquecer de executar as ações no mundo real.
- Ignorar dados práticos, como histórico de afastamentos ou anuários de saúde ocupacional, que já apontam falhas psicossociais estruturais.
- Tratar o processo como tarefa pontual, só para atender à fiscalização, e não como um sistema contínuo de melhoria.
Evitar esses desvios é ganhar tempo, recursos e credibilidade junto aos colaboradores e à fiscalização.
A MED7 Telemedicina como parceira da sua empresa
Incluir riscos psicossociais no PGR vai além do atendimento à legislação: fortalece a saúde mental e a satisfação no ambiente de trabalho. Empresas que apostam em processos estruturados colhem menos absenteísmo, mais engajamento e um clima de confiança, pilares indispensáveis para crescer. Se você procura ferramentas para monitorar indicadores, cuidar da saúde física e mental dos funcionários, e dar suporte imediato (24h) por meio de telemedicina e psicologia, a MED7 Telemedicina está pronta para ser sua parceira. Disponibilizamos relatórios personalizados e modelos de acompanhamento contínuo para pequenas e médias empresas, alinhados com as exigências da NR-1. Descubra como aprimorar a gestão de benefícios no nosso conteúdo sobre gestão de benefícios e acesse orientações práticas sobre saúde corporativa, empreendedorismo e produtividade para PMEs em nossos outros canais de conteúdo, como a seção de empreendedorismo e produtividade.
Faça um teste grátis do serviço de telemedicina para empresas ou conheça mais detalhes sobre o plano corporativo MED7 e eleve o padrão de cuidado e segurança da sua equipe. Estamos à disposição para apoiar seu processo de adequação, hoje e no futuro.
Perguntas frequentes sobre avaliação de riscos psicossociais no PGR
O que são riscos psicossociais no PGR?
Riscos psicossociais no PGR são fatores do ambiente de trabalho que podem afetar a saúde mental e as relações interpessoais dos colaboradores, exigindo monitoramento e controle. Eles envolvem, por exemplo, excesso de cobranças, assédio, conflitos ou falta de reconhecimento, e devem estar inseridos no inventário de riscos da empresa conforme a NR-1.
Como identificar riscos psicossociais na empresa?
A identificação destes riscos se dá principalmente pela escuta ativa: questionários anônimos, entrevistas, análise de indicadores de saúde mental (afastamentos, queixas, rotatividade elevada) e, especialmente, pela consulta direta aos próprios trabalhadores. Utilizar formulários simples e revisar dados históricos são estratégias recomendadas.
Quais são exemplos de riscos psicossociais?
Exemplos recorrentes: metas inalcançáveis, sobrecarga, assédio moral ou sexual, falta de suporte da liderança, trabalho isolado ou repetitivo, desequilíbrio entre esforço e recompensa, conflitos frequentes entre colegas e comunicação ineficiente entre áreas.
Por que avaliar riscos psicossociais é importante?
Avaliar esses riscos é fundamental para prevenir doenças mentais, evitar afastamentos, melhorar o clima interno e aumentar o engajamento e o senso de pertencimento na equipe. Além disso, é uma exigência legal segundo a NR-1, aplicável a todas as empresas.
Como implementar a avaliação no PGR?
O processo envolve cinco etapas básicas: formar um grupo de trabalho participativo; identificar os fatores com métodos ativos (questionários, entrevistas, análise de dados); avaliar e classificar o risco conforme matriz de severidade e probabilidade; definir e registrar medidas corretivas; monitorar continuamente. O segredo está em documentar tudo, garantir participação e revisar o processo sempre que necessário.

